O que conta como ingrediente de um vinho?

Tudo o que é usado na produção e continua presente no vinho final: as uvas, o mosto concentrado se for usado, os licores dos espumantes, os aditivos e os gases de embalagem. Os auxiliares tecnológicos que são retirados, como a maior parte dos clarificantes, não entram, salvo se forem alergénios.

A fronteira entre aditivo e auxiliar tecnológico decide o que aparece no rótulo. O ácido tartárico usado para acidificar é um aditivo e fica no vinho: entra na lista. A bentonite usada para clarificar sai com as borras: não entra. A proteína de ovo usada na colagem não entra como ingrediente, mas, se restarem vestígios, declara-se como alergénio.

Como se nomeia cada ingrediente?

Com as designações do Regulamento Delegado (UE) 2023/1606, que alterou o 2019/33. As uvas podem chamar-se simplesmente «uvas». Os aditivos indicam-se pela categoria seguida do nome ou do número E. Os alergénios destacam-se, por exemplo a negrito.

  • Uvas (ou «uvas frescas»).
  • Mosto de uvas concentrado ou mosto de uvas concentrado retificado.
  • Sacarose, quando autorizada para o enriquecimento ou nos licores.
  • Licor de tiragem e licor de expedição, nos espumantes, sem detalhar a sua composição.
  • Regulador de acidez: ácido tartárico, ácido málico, ácido láctico, ácido cítrico.
  • Conservantes e antioxidantes: sulfitos, ácido ascórbico, sorbato de potássio.
  • Estabilizadores: goma-arábica, carboximetilcelulose, ácido metatartárico, manoproteínas de leveduras.
  • Gases e gases de embalagem: azoto, árgon, dióxido de carbono; ou a frase «engarrafado em atmosfera protetora».

Como fica a lista de ingredientes num vinho real?

Curta. Para a maioria dos vinhos tranquilos, duas a quatro linhas bastam. Estes exemplos são ilustrativos: a lista certa depende do que foi efetivamente usado na sua adega, colheita a colheita.

Como fica a lista de ingredientes num vinho real?
VinhoExemplo de lista de ingredientes
Tinto secoUvas, conservante: sulfitos.
Branco com acidificaçãoUvas, regulador de acidez: ácido tartárico, conservante: sulfitos, engarrafado em atmosfera protetora.
Espumante brutoUvas, licor de tiragem, licor de expedição, conservante: sulfitos.
Vinho com goma-arábicaUvas, conservantes e antioxidantes: sulfitos, ácido ascórbico, estabilizador: goma-arábica.

Exemplos fictícios, para orientação. Não copie uma lista sem a confrontar com os registos da sua adega.

Posso escrever «contém ácido tartárico e/ou ácido málico»?

Sim, para os reguladores de acidez e os estabilizadores que podem substituir-se entre si: admite-se «contém X e/ou Y» quando pelo menos um deles está presente, até três aditivos. Isto evita mudar o rótulo de lote para lote. Para os outros aditivos, indica-se o que foi realmente usado.

A lista de ingredientes pode ficar só no e-label?

Sim. O Regulamento (UE) 2021/2117 permite fornecê-la por via eletrónica, por um QR na garrafa. Junto ao QR tem de estar escrita a palavra «ingredientes», na língua do país; o símbolo «i» sozinho não basta. Os alergénios ficam impressos, precedidos de «Contém».

Veja os detalhes na página sobre o e-label de vinho.

A lista muda a cada colheita?

Muda quando mudam as práticas. Se numa colheita houve acidificação e na seguinte não, a lista é diferente. Por isso faz sentido ter a lista no e-label, que se atualiza sem reimprimir, e manter na adega o registo do que foi usado em cada lote.

O que fica de fora da lista de ingredientes?

Os auxiliares tecnológicos que não ficam no vinho: leveduras, bactérias láticas, enzimas, bentonite, carvão, gelatina, proteínas vegetais de colagem, terras de filtração. Também não se indicam as quantidades. A exceção são os alergénios: ovo e leite declaram-se se restarem vestígios.

Na dúvida sobre um produto enológico, consulte a ficha técnica do fornecedor: indica normalmente se é aditivo ou auxiliar tecnológico e qual é a sua designação para o rótulo. É uma das verificações que fazemos ao redigir a lista.

Como passo dos registos da adega para a lista do rótulo?

Partindo do caderno de adega de cada lote. Para cada intervenção, pergunte: o produto ficou no vinho? Se sim, é ingrediente e entra com a sua categoria. Se não, fica de fora, salvo alergénio. Depois ordene por peso decrescente, começando pelas uvas.

Um método simples: liste todos os produtos enológicos usados no lote, marque os que são aditivos, agrupe-os por categoria e escreva a frase. Repita a cada colheita. Quando nos envia o caderno de adega, fazemos esta triagem por si e devolvemos a lista pronta, revista por um especialista.

Que erros aparecem mais nas listas de ingredientes?

  • Incluir leveduras, enzimas ou bentonite, que são auxiliares tecnológicos.
  • Esquecer o regulador de acidez quando houve acidificação.
  • Usar nomes comerciais em vez da designação admitida.
  • Não destacar os sulfitos dentro da lista.
  • Manter a lista da colheita anterior depois de mudar as práticas.
  • Publicar a lista no e-label só em português num vinho exportado.

Perguntas dos produtores

Posso indicar «uvas» em vez de «uvas frescas»?

Sim. O termo «uvas» é admitido para a matéria-prima.

O licor de expedição tem de ser detalhado?

Não. Nos espumantes, «licor de tiragem» e «licor de expedição» podem aparecer assim, sem a sua composição.

Onde fica a lista se o vinho não tiver QR?

Impressa no rótulo, completa, com os alergénios destacados.

Os clarificantes entram na lista?

Não, se forem retirados do vinho. Mas se forem alergénios, como ovo ou leite, e restarem vestígios, declaram-se como alergénios.

Tenho de indicar a levedura?

Não. As leveduras são auxiliares tecnológicos e não aparecem na lista.

A lista pode estar só em português num vinho exportado?

Não. Na página e-label, deve existir na língua de cada país de venda.

Fontes

Critérios de seleção: citamos primeiro textos oficiais (EUR-Lex, portais legislativos nacionais) e depois inquéritos com o editor identificado.

Atualizado em 2 de novembro de 2026 pela equipa WineLex